Descomplique, já!

Por Marcia Bindo em Vida Simples – 25/06/2007

Informação demais, escolhas demais, quantas opções. O mundo está complicado! Quer uma dica? Aprenda a viver nele!

Você já sentiu a sensação de que a quantidade de informação disponível é muito maior que sua capacidade de processá-la? Muito possivelmente sim. Pesquisas afirmam que a quantidade absurda de decisões que temos que tomar diariamente é o principal causador de ansiedade. E o pior: com tanta informação nos assaltando, não conseguimos identificar os assuntos realmente importantes e dedicar mais tempo a eles. E a complexidade veio para ficar,vai aumentar e tem muitos pontos positivos. É melhor aprender a conviver com ela.

Como chegamos aqui?

Enquanto derrubava fronteiras, a globalização também tornou mais frágeis as regras das sociedades. Por onde a globalização passa, as pessoas ganham mais liberdade de agir como querem. Em outras palavras, ganham liberdade de escolha. Esse individualismo tem uma mola propulsora forte: a sociedade de consumo. Para gostos cada vez mais pessoais, são necessários produtos cada vez mais específicos. A cultura consumista e a publicidade criam e reinventam novas necessidades a cada minuto.

Diminua as expectativas

O psicólogo americano Barry Schwartz, autor do livro The Paradox of Choices – When More is Less identificou dois padrões de comportamento humano sobre escolhas. Quem está no primeiro grupo não se contenta apenas com o bom, quer sempre o melhor, portanto precisa conhecer todas as opções disponíveis antes de decidir. O outro, ao contrário, fica com a primeira boa opção que aparece e não se atormenta com as outras possibilidades existentes. Adivinha quem vive melhor. Fácil, né? O segundo. E o sofrimento do primeiro só faz aumentar à medida que as opções se multiplicam. A tendência é que ele fique paralisado, sem saber o que fazer.

É fato: pessoas muito perfeccionistas e exigentes acabam sendo as que sofrem mais nas escolhas,gastam um tempão porque acreditam que sempre existe possibilidade de encontrar alguma coisa melhor se continuar procurando,fazem mais comparações e se importam muito com as opiniões dos outros. O resultado: se arrependem com mais frequência.

Foque no que importa

É preciso identificar as opções relevantes para você.  Muita gente já faz, intuitivamente, essa triagem. Mas uma decisão de maior duração, como a escolha da profissão, merece mais dedicação. A orientadora profissional Bronia Liebesny, de São Paulo, notou que as pessoas que se dão melhor na escolha da profissão são aquelas que enxergam a importância dessa opção. Nem sempre ter mais opções é bom. Às vezes, menos é mais.  Uma dica para reduzir as opções disponíveis é descartar, de cara, o que não queremos. Outra dica: nada de querer tudo. Esse é o ponto.

Sempre que for comprar algo, selecione não mais que três lojas. No supermercado, vá direto aos produtos que interessam. Ao escolher uma atividade física, comece descartando aquelas com que você não tem afinidade, e assim por diante.

Conheça a si mesmo

Fazer comparações é inevitável. Comparamos nosso salários, nossos carros, nossas casas e bens materiais. E sofremos com isso.  A solução é mais simples do que parece: antes de se comparar, pergunte a si mesmo se sua opção o satisfaz. Talvez ajude pensar que uma das características da sociedade de excessos é a efemeridade. Veja o exemplo da moda. As coleções têm que nascer e morrer para a indústria sobreviver. Não existe certo e errado. O jeito de se vestir é uma maneira de se comunicar com o mundo, então você tem que saber como é seu jeito, independente da moda que vai e vem.

Você provavelmente já escolheu algo sem saber exatamente por quê, guiado por uma sensação.Confiou nesse sentido e…acertou na escolha! Isso acontece porque, quando fazemos uma escolha, levamos em conta também nosso mundo interno. A intuição seria exatamente o sentido que percebe essa memória oculta. Confiante, é mais fácil satisfazer-se.

Existe uma prática de meditação que ajuda a ampliar a confiança nas escolhas. No final de cada dia, tente se lembrar de coisas pelas quais você se sente grato. Desde as grandes até aquelas mais triviais. Com a prática você de repente começará a descobrir boas coisas, se sentirá melhor com sua vida como ela é. Vai pensar menos nas oportunidades que perdeu e se sentir mais confiante ao fazer a próxima.

Teste seu grau de satisfação

Escreva um número de 1 (discorda completamente) a 7 (concorda plenamente) para cada questão abaixo.

1. Sempre que está diante de uma escolha, tenta imaginar como são todas as outras possibilidades, mesmo aquelas que não estão presentes no momento da escolha.

2. Mesmo se você está satisfeito com o seu trabalho, continua procurando por melhores oportunidades.

3. Quando você está escutando música no carro, costuma sempre checar o que as outras estações estão tocando.

4. Quando está assistindo TV, costuma passear pelos outros canais.

5. Encara relacionamentos como roupas: procura experimentar várias opções antes de escolher a que veste bem.

6. Sempre tem dificuldades de escolher um presente para um amigo.

7. Na hora de alugar um dvd demora um tempão à procura do melhor filme.

8. Quando vai fazer compras tem dificuldades de encontrar roupas de que goste bastante.

9. É fã de listas com o ranking dos “melhores filmes”, etc.

10. Acha muito difícil escrever, mesmo quando é uma carta para um amigo, porque é duro ter que escolher as palavras apropriadas e sempre faz rascunhos.

11. Não interessa o que faça, você sempre é muito exigente.

12. Nunca decide pela segunda opção.

13. Sempre fantasia viver de maneiras diferentes da sua vida atual.

RESULTADOS:

Sua pontuação pode variar de 13 a 91.

Se for 65 para cima, você provavelmente é uma pessoa perfeccionista em suas escolhas.

Se a pontuação é 40 para baixo, você está mais próximo de ser uma pessoa que se satisfaz mais facilmente com suas escolhas.

Se você marcou entre 40 a 65 pontos, você tem as duas características mais equilibradas.

(Pesquisa da American Psychological Association, publicada no livro Paradox of Choice)

 

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